domingo, 2 de janeiro de 2011


Sonhos, todos tem os seus. Alguns bons, alguns ruins, alguns que você desejaria esquecer. Algumas vezes percebe que os superou. Algumas vezes sente que estão finalmente se tornando realidade. E alguns de nos.. só tem pesadelos. Mas não importa o que sonhe, quando a manhã chega, a realidade se intromete, o sonho começa a escapar.
(Gossip Girl)

Parte III - O destino veio me visitar.

Sinceramente, eu estava muito cansada. O dia anterior tinha sido cheio, prova disso é eu ter dormido feito pedra durante toda a noite. Quando acordei, olhei para o relógio na parede. Eram exatamente 10:00 hrs. Meio sonolenta ainda, levantei e peguei o celular. Paolo não havia ligado, nem mandado mensagem.
Tomei um bom banho, tomei um pobre café da manhã, e deixei o celular bem ao meu lado. Depois, deitei no sofá e fui pensar no dia de ontem. Era impressionante como Paolo passou a fazer parte de todos os meus pensamentos. Estar do lado dele era mais do que um prêmio para mim. Era impressionante a maneira como ele me tratava. A doçura e seriedade que dirigia a palavra a mim, me fazendo se sentir uma princesa. Já imaginou de nós passássemos a nos conhecer cada vez mais até namorarmos? Caramba! Não poderia me iludir a esse ponto... Mais sonhar não faz mal né?
Fiquei refletindo, olhando para o teto durante uns 10 minutos, até por ser interrompida pelo toque do celular. Pulei do sofá, a procura do celular que estava na mesinha do lado. Era Paolo. Pensei em atender imediatamente, mais deixei chamar algumas vezes para não parecer que eu já estava esperando sua ligação.
Quando a ligação estava quase caindo, atendi.
- Alô? - falei.
- Oi Bianca, bom dia! Tudo bem com você? - Ele disse, com aquela voz linda de americano.
- Oi, tudo sim, e com você?
- Sim. Olha só, andei pensando em me encontrar novamente com você essa semana. Gostaria de conhecer mais a cidade, e já que ela é grande o suficiente para me fazer se perder, gostaria que você fosse minha companheira, que tal?
- Adoraria Paolo, será um prazer. - Respondi com sinceridade.
Por um minuto, fiquei em dúvida se deveria ou não chamá-lo a festa de hoje à noite. Não seria feio para uma menina que mal conhecia um americano que morava em NY? Mais se fosse, sinceramente eu não me importava. Não poderia perder a chance de ir acompanhada com ele a uma festa que eu esperava já havia meses. Todas as minhas amigas da faculdade estariam lá, e morreriam de inveja a me ver com aquele lindo homem. Ainda mais quando souberem que ele é americano.
- Paolo, você trouxe terno? - Perguntei.
- Trouxe sim, vim preparado para várias ocasiões. Acho que o destino me avisou que eu poderia encontrar você.
Eu tinha ouvido bem? Eu sinceramente não sabia o que responder, Aquilo me fez ir ao céu e voltar. Tentei não parecer boba demais, e continuei:
- Que bom! Gostaria de me acompanhar em uma festa de uma amiga? Vai ser muito legal. - Convidei.
- Mais é claro Bianca! - Ele disse de maneira tão alegre que me fez ficar mais radiante ainda.
- Me encontro com você às 20:00 hrs na porta do meu prédio para irmos juntos, ok? - Falei.
- Combinado! Vejo você a noite. Beijos - Finalizou.
Eu desliguei e não respondi. Eu estava elétrica demais para ainda ter que responder. Minha vontade era de pular, gritar. Não entendia como uma garota que já havia sofrido tanto poderia ter do nada, tanta sorte.
Fui para frente do espelho e treinei diálogos que poderia vir a ter com Paolo. Eu tinha que estar charmosa e sexy para encantá-lo ainda mais. Afinal, se ele já havia dado tanto mole para mim é porque realmente está afim.
Ás 14:00 hrs, o interfone toca. Gabi estava na porta do prédio esperando por mim. Peguei minha bolsa  desci.
Quando a vi, ela correu em minha direção.
- Bianca, adivinha quem eu fiquei sabendo que vai a festa? - Ela disse tão rápido que eu mal pude entender.
- Quem? Britney Spears? - Falei sorrindo.
- Que engraçada você! - Ela falou bastante irritada.
- Eu devia nem te contar. - Continuou.
- Pois não conta. Paolo vai comigo, e para mim é só isso que importa. - Falei com sinceridade.
- Pedro. - Ela falou de maneira fria, já sabendo da minha reação.
Aquilo só podia ser brincadeira. Depois de tantas brigas, tantas desavenças, Pedro ainda teria coragem de ir ao mesmo lugar que eu? Ele só podia ter parafuso na cabeça.
- Quer saber? É até bom ele ir. Vai ser ótimo ele me ver com Paolo. Assim, ele vai ver que a fila anda, e a minha simplesmente corre. - Eu acho que estava azul de raiva.
- É isso aí garota! Aí você pode tascar o maior beijão no Paolo bem na frente dele. Vai ser demais! - Ela disse confiante.
- Claro que não. Isso é papel do Paolo! Se bem que se ele realmente fizer isso, eu iria achar tudo de bom. - Falei sorrindo.
Entramos no carro, e durante todo o percurso fomos falando aos cotovelos. Eu e Gabi juntas parecíamos duas loucas falando sem parar.
A tarde foi longa. Fiz cabelo e maquiagem, já que eu queria estar totalmente linda. Linda para ele.
Quando cheguei em casa, só dava tempo para tomar banho e vestir-me. E foi o que eu fiz.
Fiquei pronta antes das 20:00 hrs, mais preferi não descer a recepção. Achei melhor esperar Paolo dentro do apartamento.
No horário exato combinado, o interfone toca. Paolo estava na recepção à minha espera.
Eu desci tão ansiosa que mal conseguia respirar. Dentro do elevador, tirei um espelho da bolsa para ver se cada fio de cabelo meu estava no devido lugar. Não me decepcionei, pois eu realmente estava linda.
Ao sair na calçada, vi Paolo encostado no táxi com as mãos dentro dos bolsos e as pernas cruzadas, pose de galã. Ele estava mais lindo que eu nunca e mais cheiroso também. O cheiro do perfume passeava pelo ar que eu respirava com balões soltos.
Meus olhos estavam totalmente fixos a ele, e os dele a mim, como se nunca tivéssemos nos visto antes.
Quebrei o clima e falei.
- Você está muito elegante, Paolo. - Falei tentando não dar mais características. Ele poderia ser metido e eu não sabia.
- Você está perfeita Bianca. Nunca vi uma garota mais bonita que você. - Paolo disse.
- Muito obrigada! Mais agora vamos entrar no táxi, não podemos nos atrasar. - Falei e me dirigi ao carro.
Todo o percurso até a festa foi em silêncio. Quando chegamos no lugar da festa, ele desceu primeiro e segurou a porta para mim.
Eu sinceramente estava me sentindo uma rainha, e por um minuto percebi que os olhares da festa eram para mim e Paolo. Ninguém o conhecia ali, e ali todos eram conhecidos.
Sentei-me à mesa na primeira mesa vazia que vi, e infelizmente a primeira pessoa que vi foi Pedro. Ele não era feio, mais sinceramente perdia feio para Paolo. Não imaginei que ele teria coragem de vir até mim, até perceber que ele seguia na minha direção. Eu não acreditava no que via, e imediatamente desviei o olhar e procurei assunto com Paolo.
Pedro foi mais rápido que eu imaginei e interrompeu meus planos.
- Olá Bianca. Está acompanhada? – Ele disse de maneira tão sínica, que me deu vontade de pular em seu pescoço. Ele já sabia da resposta, e perguntou só para me irritar.
Pensei em não responder, mais não queria que Paolo percebesse o que estava acontecendo.
- Com o melhor e mais simpático homem da festa. – Respondi friamente.
- Qual seu nome, companheiro? – Ele perguntou a Paolo, estendendo a mão.
- Paolo, prazer. – Respondeu.
- Eu sou Pedro, ex-namorado da sua companheira. O prazer é todo meu. – Ele disse.
Paolo se assustou, e me olhou. Ele logo percebeu que a presença de Pedro ali não estava sendo agradável para mim e quebrou o clima tenso.
- Vamos dançar Bianca? – Convidou Paolo.
Não respondi e me levantei imediatamente, ignorando Pedro.
Fui até o centro do espaço da festa, e comecei a dançar com ele. Agora nos estávamos nos encarando, se dizer uma palavra. Eu estava tensa, e por isso não tinha coragem de dizer absolutamente nada.
Ele encostou o rosto no meu, e sussurrou no meu ouvido.
- Você fica ainda mais linda tensa. Não se preocupe, eu sei qual é a intenção dele. Não sei como terminou a história de vocês, mais sei que não se dão bem. Não deixe com que isso estrague seu bom humor. Mulher bonita para ser ainda mais bonita precisa ser sorridente. – Ele disse de maneira tão meiga, mais com tanta segurança, que a minha maior vontade naquele estante era de beijá-lo.
- Você está certo. Pedro não merece. Ficar chateada é uma emoção para quem se importa, e eu já não me importo com ele. – Falei.
Ele não disse mais nada, só dei um sorriso de canto de boca.
O clima entre nós ficou ainda mais romântico, e ele aproximou o rosto do meu. Meu coração estava acelerando, mais eu tentei não demonstrar que estava tensa com o que poderia acontecer em poucos segundos. Ele estava quase me beijando, e aquilo era o que eu mais queria naquela noite. Tentei adivinhar se Gabriela estava observando aquele momento de longe, mais não sabia se ela já havia chegado.
Aconteceu. Eu estava aos beijos com Paolo. O hálito dele era extremamente suave, e seus movimentos eram encantadores. Ele colocou uma mão na minha cintura, e outra no pescoço.
Aquilo era bom demais para ser verdade. Depois de certo tempo que eu sinceramente não sei quanto, ele afastou o rosto do meu e me olhou firmemente. Retribui o olhar e depois o puxei até o bar. Ao virar o rosto, vi Pedro de longe nos observando. Percebi que ele apertava o copo de bebida em sua mão de maneira tão forte, que o copo tremia. Dei um sorriso debochado e virei para Paolo.
Sentamos nos bancos que havia encostados no balcão do bar, e ficamos sem assunto até me vir a cabeça a louca da Gabriela.
Meu telefone tocou, e eu já imaginava que era ela.
- Alô, Bianca? Cadê você – Ela perguntou animada.
- Estou no bar, venha até aqui. Quero te apresentar uma pessoa. – Falei e desliguei.
Ela apareceu rapidamente, como se estivesse correndo.
- Paolo, quero te apresentar minha melhor amiga, Gabriela. – Apresentei.
Gabriela parecia hipnotizada. Ela o olhava de maneira tão fixa que me deixou envergonhada.
- Oi Paolo, prazer. – Ela disse e dirigiu a mão dela até a dele.
- Prazer Gabriela. – Respondeu.
- Gabriela, pode vir até o banheiro comigo um instante? – Aquilo nem parecia uma pergunta, já que ela não esperou eu responder. Puxou-me rapidamente e eu fiz com a mão para Paolo esperar um instante. Ele piscou o olho e eu sumi no meio das pessoas, o perdendo de vista. No caminho ao banheiro encontrei várias amigas e amigos, e cumprimentei todos.
No banheiro, Gabriela praticamente berrava.
- Bianca Bergantini, eu não creio no que está acontecendo. Ele é mais lindo que eu imaginava garota! Iae, já rolou um clima?
- Sim, nós nos beijamos. – Falei mais animada ainda.
- OMG! Que sortuda você amiga! – Ela falou com sinceridade.
- Concordo! – Falei quase pulando.
- Viu o Pedro? Fui falar com ele e ele zombou de você. Disse que Paolo não passava de um falso americano que só queria brincar com você. – Gabi disse.
- Até parece né! Está na cara que ele está com ciúmes e quebrou a cara quando viu que eu não sou mulher de ficar em depressão por homem. Agora deixa eu ir, Paolo me espera. – Eu falei e virei às costas, saindo do banheiro.
- Te ligo depois! – Gabi gritou e não recebeu nenhuma resposta minha.
O centro de dança estava lotado, e eu sentia dificuldade em passar por ali. De repente, senti uma mão grande e fria apertar meu braço de maneira grosseira.
- Vejo que você não passa de mais uma garotinha iludida. – Pedro falou.
- E eu vejo que você não passa de um vira-lata que não tem vergonha na cara de incomodar os outros. – Respondi.
- Você pensa que pode ser feliz sem mim, tá enganada viu?
- Vejo que o enganado aqui é você! Me larga! – Falei e tentei tirar a mão dele de mim, em vão.
- Epa Epa, espera aí meu amor, a gente tem muito que conversar. Não quer dar uma volta comigo? – Ele falou mais sínico do que nunca.
Eu não respondi, e tentei fazer com que ele me largasse.
Nós fomos surpreendidos por Paolo, que chegou irritado.
- Larga ela agora! – Paolo falou praticamente gritando.
- Sabia que ela morre de amores por mim? Saí fora Paolo, você está sobrando aqui. – Pedro falou gritando.
Paolo não respondeu, simplesmente agiu. Surpreendeu Pedro com um soco no rosto. Pedro caiu, e a festa inteira parou para ver o que estava acontecendo.
Gabi apareceu correndo de longe, e se dirigiu até nós. Quando ela viu Pedro caído no chão, sorriu para mim e piscou o olho.
Aquela festa já não estava boa o suficiente para mim e Paolo, e então eu o puxei até a porta de saída praticamente correndo, ignorando todos os olhares, antes que Pedro se levantasse e procurasse mais briga.
Paolo me acompanhou e nos saímos da festa. Lá fora estava frio, e eu cruzei os braços. Paolo percebeu e tirou o seu paletó para me oferecer.
- Toma, vista. – Disse ele.
- Obrigada. – Respondi.
Ele me ajudou a vestir.
- Não quer dar uma volta a pé? Aqui perto tem um restaurante ótimo, podemos jantar lá se você quiser. Acho que temos muito que conversar também, e lá é calmo o suficiente para isso. – Convidei.
- Claro. Adoraria – Ele disse sorrindo.
Eu sabia que tinha muito que esclarecer com Paolo, e na minha mente eu buscava as palavras ideais para isso.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Parte II - O destino veio me visitar.

Que Paolo era o cara mais simpático, lindo, inteligente, culto que eu já tinha conhecido nesses 19 anos de vida, eu não tinha dúvida. Que ele era totalmente diferente do indivíduo que me fez chorar a um tempo atrás, também não. Passeamos pelo parque, comemos algodão-doce e conversamos muito. Aproximamos-nos tanto em tão pouco tempo, que nem parecia que havíamos nos conhecido há poucas horas.
Ele tinha 23 anos e não sabia por quanto tempo ficaria no Brasil. Não tinha compromissos em Nova York, por isso poderia ficar o tempo que quisesse no Rio. 
Depois de estarmos totalmente encantados um com o outro, em um clima suave e alegre, o meu querido amigo celular toca. Por um segundo pensei em não atender, mais a curiosidade falou mais alto e eu tirei o celular da bolsa para ver quem era.
- Alô, Gabi? - Atendi.
- Bianca, eu estou na porta do seu prédio, e o porteiro disse que você não estava em casa. Esqueceu que eu vinha te buscar para irmos fazer compras para a festa de amanhã? Amiga, to super animada!
Eu não respondi. Caramba! Era verdade, amanhã eu tinha uma mega festa para ir, e não tinha roupa para usar. Só o shopping poderia ser a minha salvação. Mais também, com a companhia de Paolo, quem não esqueceria até de uma festa, por mais importante que fosse?
- Está bem Gabi, estou a caminho de casa, estou parada nesse trânsito horrível, mais já estou chegando. - Menti e desliguei, sem esperar que ela dissesse mais alguma coisa.
Paolo já tinha entendido tudo. Nosso momento divertido estava prestes a acabar.
Fiz uma careta como se lamentasse por ter que ir embora, sabendo que ele já tinha entendido tudo.
- Não tem problema Bianca. Entendo você. Pode ir. Qualquer dia, quem sabe não nos topamos de novo? - Ele falou mais encantador do que nunca.
- Ah, é claro! - Respondi e sorri.
Ele beijou minha bochecha, e se levantou.
- Foi um prazer. Espero encontrar você de novo. - Paolo falou.
- Nessa cidade gigante, com milhões de pessoas, eu acho difícil. - Falei com sinceridade.
- É para isso que se existe telefone celular, não? – Ele me surpreendeu.
Eu achei que tinha escutado mal. Depois de uma tarde super agradável com ele, ele estava pedindo o número do meu celular? Destino, eu te amo!
Dei o número para ele, e em seguida me dirigi à beira da rua. Passou um táxi e eu acenei com a mão. Entrei dentro do carro, e dei tchau para ele com a mão.
- Espero sua ligação. - Falei e ao mesmo tempo fechei a porta.
Paolo ficou para trás, e isso me deixou não muito animada. Será que ele realmente ligaria? Meus pensamentos estavam embaralhados, como sempre. Tentei parar de pensar nele, e tentei me lembrar de Gabi. Ela deveria está surtando na porta do meu prédio, impaciente, como sempre.
O trânsito não estava horrível como eu tinha dito para ela, e isso ajudou eu chegar bem mais rápido.
Como eu havia dito, ela estava andando de um lado para outro, na calçada do prédio. Quando me viu, faltou surtar.
- Vou te bater, garota! Como você esquece que precisamos ir ao shopping? - Ela falou. Tão rápido que eu mal pude entender.
- Tinha coisas melhores para fazer Gabi. Você não vai acreditar o que aconteceu comigo. -  Falei. Eu sabia que aquilo tinha deixado ela super curiosa.
- Me conta então. E tem que ser muito importante viu? Para você esquecer uma tarde comigo! - Ela falou tão irritada, praticamente soletrando o comigo.
Entrei dentro do carro dela. E seguimos em direção ao shopping. Durante todo o percurso me peguei pensando em Paolo, sem prestar muita atenção ao que Gabi falava. Ela estava falando aos cotovelos, e nada daquilo estava entrando pelos meus ouvidos.
Meus pensamentos foram interrompidos quando ela praticamente gritou:
- O que você acha Bianca Bergantini?
- Eu acho ótimo. - Menti.
- O quê? Você acha ótimo do Gabriel terminar nosso namoro e dizer que eu não sirvo para ele? Eu linda do jeito que sou, que nunca recebi um fora de outro alguém na vida!? Bianca, o que está acontecendo com você?
Eu não sabia o que dizer a ela. Se eu contasse o que havia acontecido, ela ficaria mais animada do que eu e criaria mil e uma expectativas. Mais também eu não conseguiria ficar calada por mais tempo, eu tinha que contar aquilo para alguém. Resolvi contar, mais só quando chegasse ao shopping. Tinha medo que ela batesse o carro.
Quando chegamos e descemos do carro, comecei a contar tudo. Quando terminei, ela parou.
- Bianca Bergantini, será que ele não tem nenhum amigo americano com ele por aqui?
Minha vontade foi de gritar com ela. Aquilo tinha me estressado. Não respondi. Dirigi-me a primeira loja que vi e conversei com a atendente.
Fui para casa a noite, e fiz tudo o que precisava fazer. Gabi me deixou em casa e combinou que me ligava no dia seguinte de manhã, para vir me buscar e irmos ao salão juntas.
Quando entrei no apartamento, só via a cama. Joguei as sacolas no chão e me deitei, sem me preocupar com nada. Antes de adormecer, pensei em Paolo. E ao mesmo tempo pensei na festa de amanhã. De repente, senti como se minha mente gritasse "o chama para a festa". Imediatamente, peguei o celular na tentativa de ligar para ele, até lembrar que não havia pegado seu número. Só me restava uma esperança: Paolo teria de me ligar amanhã durante o dia, a tempo de eu chamá-lo para a festa. E por alguns minutos, meu maior desejo era que amanhecesse logo. Depois disso, não vi nem pensei mais em nada, já tinha adormecido.